
Transtornos alimentares, como a bulimia e a anorexia nervosa, por exemplo, podem levar a prejuízos graves à saúde, podendo mesmo pôr em risco a vida destes pacientes. O tratamento atempado e adequado é essencial para evitar danos sérios à saúde.
Os transtornos alimentares envolvem perturbações da alimentação, ou então perturbações do comportamento que estão associados à alimentação, sendo que estes podem incluir alterações às quantidades de comida ingeridas ou adoção de medidas para evitar que a comida seja absorvida pelo organismo, por exemplo.
Só é considerado um transtorno alimentar quando o comportamento inadequado se prolonga por um período e quando este causa prejuízos à saúde física ou à capacidade da pessoa desempenhar plenamente as suas funções na escola ou no trabalho. Inclui-se aqui, também, o dano, ou dificuldades sérias, nas interações sociais.
Transtorno alimentar: o que é?
O transtorno alimentar é uma alteração ou perturbação da alimentação ou comportamento associado à alimentação, a/o qual se prolonga no tempo e causa danos à saúde física, mental e/ou social da pessoa. Assim, este diz respeito a uma ingestão alimentar defeituosa, ou então uma perturbação psicológica que leva o paciente a não comer.
Os transtornos alimentares são condições particularmente graves, uma vez que causam danos sérios à saúde física dos pacientes.
Independentemente do transtorno, a questão emocional está sempre muito marcada em qualquer distúrbio. Muitos dos pacientes desenvolvem o transtorno alimentar na sequência de um trauma de adolescência, embora os distúrbios alimentares possam surgir em outras alturas da vida.
Em comum, todos os distúrbios alimentares apresentam uma preocupação exagerada com o peso corporal. Essa preocupação excessiva origina os comportamentos alimentares anormais, os quais colocam em risco a saúde dos pacientes.
Os transtornos alimentares são mais comuns em mulheres (90% dos casos) do que nos homens, especialmente mulheres mais jovens.
Os transtornos alimentares mais frequentes são:
Anorexia nervosa;
Bulimia;
Transtorno da compulsão alimentar periódica;
Transtorno alimentar restritivo evitativo;
Pica;
Transtorno de ruminação;
Hipergafia;
Ortorexia;
Vigorexia.
Perturbações alimentares, geralmente, estão associadas a outros distúrbios mentais, como a ansiedade, a depressão e/ou abuso de consumo de substâncias químicas.
Quais as causas dos transtornos alimentares?
Não é conhecida uma causa específica para o desenvolvimento de transtornos alimentares. No entanto, sabe-se que estes são muito complexos e influenciados por vários fatores, entre eles:
Genéticos;
Psicológicos;
Biológicos;
Ambientais.
Pessoas com baixa autoestima e insatisfeitas com a sua aparência física têm uma maior predisposição a desenvolver distúrbios alimentares. No caso particular da anorexia, uma personalidade perfecionista é uma tendência. Já os bulímicos tendem a ser impulsivos.
Comentários negativos sobre o corpo vindos de outras pessoas, quando se tornam repetitivos e sistemáticos, assim como a vivência de situações traumáticas, como uma violação ou a morte de um ente querido, podem estar na origem, também, de uma perturbação alimentar.
Outros fatores de risco para o desenvolvimento de distúrbios alimentares são:
Depressão;
Ansiedade;
Transtorno obsessivo-compulsivo;
Culto excessivo do corpo;
Distorção da imagem corporal;
Maus hábitos alimentares;
Questões hormonais;
Sentimento de culpa;
Distúrbios emocionais.
Para entender melhor o que são os transtornos alimentares e como identificá-los de forma precoce, veremos abaixo os principais distúrbios em detalhe.
Bulimia
A bulimia, ou bulimia nervosa, caracteriza-se por episódios de ingestão de grandes quantidades de comida num curto espaço de tempo (compulsão alimentar), seguindo-se episódios compensatórios, como a indução do vómito, jejum, exercício físico intenso ou a ingestão de laxantes.
Os principais sinais de alerta são a preocupação excessiva com o peso e a muita variação de peso do paciente. Pode ser recomendada a terapia cognitivo-comportamental e/ou a toma de inibidor seletivo de recaptação de serotonina.
A bulimia está intimamente ligada a fatores sociais e hereditários. Afeta muito mais mulheres do que homens (uma em cada cem mulheres jovens tem bulimia nervosa).
Pessoas com bulimia nervosa estão sempre preocupadas com a sua forma física, tendo como base da sua imagem e autoestima o peso corporal.
É muito comum que bulímicos sintam culpa e remorsos pelas suas ações, pois eles tendem a ser conscientes dos seus comportamentos compulsórios. Também são mais propensas a desenvolver comportamentos impulsivos, abusar de drogas e álcool, assim como desenvolver quadros depressivos.
Sintomas
Dor de garganta e inflamação crónica;
Erosão do esmalte dos dentes;
Problemas nas glândulas salivares (inchaço na mandíbula ou pescoço, por exemplo);
Desidratação severa;
Irritação intestinal;
Hemorragia retal (advinda do uso de laxantes);
Desequilíbrio dos eletrólitos.
Diagnóstico da bulimia nervosa
O diagnóstico é feito mediante avaliação médica. Sinais de alerta são a verbalização de uma preocupação excessiva com a imagem, presença de episódios compulsórios (pelo menos uma vez durante três meses, ou mais), compensação de episódios de compulsão alimentar com indução do vómito, uso de laxantes, prática excessiva de exercícios e/ou jejum.
Outros sinais de alerta para o médico são:
Variações amplas de peso;
Inchaço das glândulas salivares;
Erosão do esmalte dentário;
Cicatrizes nas articulações dos dedos;
Baixos níveis de potássio.
Tratamento
O tratamento da bulimia passa pela terapia cognitivo-comportamental (geralmente, durante 4 ou 5 meses) e/ou a toma de inibidor seletivo de recaptação de serotonina (uma espécie de antidepressivo que ajudará a reduzir a frequência de episódios de compulsão alimentar e vómito). O acompanhamento por um nutricionista também é essencial para o tratamento deste transtorno alimentar.
É fundamental que a família dê todo o suporte ao paciente, pois este precisa de sentir que não está sozinho e que os seus familiares o apoiam e não se envergonham dele.
Quando não tratada, a bulimia pode causar arritmias cardíacas (pela diminuição do potássio no sangue causada pelo vómito), ruturas do estômago e/ou esófago, ou até morte súbita (pela ingestão de grandes quantidades de ipecacuanha para indução do vómito).
Anorexia nervosa
A anorexia nervosa caracteriza-se por uma tentativa constante em emagrecer, independentemente do peso corporal do paciente, uma vez que ele tem uma imagem corporal distorcida, achando sempre que está obeso ou com excesso de peso.
Nessa tentativa incessante de emagrecer, as pessoas com anorexia fazem uma restrição alimentar muito severa, levando a um peso corporal demasiado baixo. Em alguns casos, também é possível a ocorrência de episódios de compulsão alimentar, seguidos de purgação (indução do vómito ou uso de laxantes).
Este transtorno alimentar geralmente começa na adolescência e é muito mais frequente em mulheres. É comum que estes pacientes neguem a existência do problema.
Existem dois tipos de anorexia nervosa: restritivo — o paciente limita a ingestão de alimentos, pode praticar exercício físico em excesso, mas não apresenta episódios de compulsão alimentar ou purgação regular — e do tipo compulsão/purgativo — o paciente, além de restringir a ingestão de alimentos, apresenta episódios de compulsão alimentar, seguidos de purgação regular (um terço dos pacientes tem este tipo de anorexia).
A perda de peso rápida ou demasiado excessiva pode ter sérias consequências de saúde, podendo mesmo pôr em risco a vida dos pacientes.
A desidratação severa, uma redução drástica dos eletrólitos (como o sódio, o cloro e o potássio) e os problemas de coração são os mais perigosos para os pacientes com anorexia nervosa.
Causas da anorexia nervosa
Não existe uma causa conhecida para o desenvolvimento da anorexia nervosa, embora seja facto que as mulheres jovens sejam as mais propensas a este distúrbio alimentar.
No entanto, é possível que fatores genéticos, ambientais e sociais desempenhem um papel crucial no desenvolvimento deste transtorno.
O culto excessivo do corpo, a magreza como estereotipo de beleza e/ou a gordofobia (fobia e preconceito para com pessoas com excesso de peso e obesidade), fazem com que crianças e adolescentes possam adotar medidas para controlar o peso. Vale a nota, contudo, que uma percentagem baixa dessas pessoas apresenta anorexia nervosa.
Sintomas
A anorexia pode ser transitória (quadro mais leve) ou persistente, sendo que a sua gravidade pode influenciar na quantidade e seriedade dos sintomas. No entanto, existem alguns indícios comuns a qualquer caso de anorexia:
Preocupação maior com a dieta e peso corporal;
Ansiedade em relação ao peso (intensifica-se à medida que vai emagrecendo);
Autoimagem distorcida (a pessoa, mesmo magra, afirma estar acima do peso).
Também é comum que as pessoas que sofrem de anorexia nervosa:
Estudem várias dietas;
Contem calorias de todos os alimentos;
Acumulem e escondam alimentos;
Façam refeições muito elaboradas para outras pessoas.
Outros sintomas comuns são:
Peso corporal extremamente baixo;
Episódios de compulsão alimentar;
Restrição alimentar severa;
Autoindução do vómito;
Uso de laxantes e diuréticos;
Inibição do ciclo menstrual;
Perda libido;
Gastrite;
Hipotermia;
Descamação da pele e/ou pele seca;
Anemia;
Frequência cardíaca lenta;
Pressão arterial baixa;
Temperatura corporal baixa;
Queda de cabelo (ou torna-se mais fino e ralo);
Excesso de pelos faciais e corporais;
Desconforto abdominal e obstipação;
Depressão;
Diminuição do estrogénio em mulheres e da testosterona nos homens;
Altos níveis de cortisol;
Valores baixos da hormona da tireoide.
Diagnóstico da anorexia nervosa
Pessoas com anorexia nervosa resistem em procurar ajuda médica, uma vez que elas não acreditam ter um problema. Regra geral, estas acabam por ser levadas ao hospital pelos membros da família ou em decorrência de outros problemas de saúde.
Para efetuar o diagnóstico, o médico calcula o Índice de Massa Corporal (IMC) — geralmente, os pacientes com anorexia nervosa têm valores inferiores a 17 — e faz questões para avaliar a autoimagem do paciente. É possível que aplique, também, um questionário para transtornos alimentares.
Como existem outros distúrbios que causam perda de peso ou relutância em comer, o profissional de saúde também faz uma avaliação para detetar:
Depressão;
Esquizofrenia;
Cancro;
Abuso de anfetaminas;
Distúrbios que levam a má absorção de alimentos.
Podem ser pedidos outros exames para avaliar efeitos secundários, como exames de urina e sangue, eletrocardiograma e exame de densitometria óssea.
Tratamento
Antes de mais nada, é primordial hidratar o organismo, pois os pacientes com anorexia nervosa apresentam uma desidratação severa que pode colocar em risco a sua vida.
O acompanhamento por psicólogo ou psiquiatra e por um nutricionista é o segundo passo para o tratamento deste transtorno alimentar. O apoio incondicional da família também se mostra fundamental para que o tratamento tenha bons resultados.
Sem tratamento adequado, a anorexia nervosa grave leva à morte de, aproximadamente, 10% dos pacientes.
O internamento pode ser necessário para garantir que o paciente ingira a quantidade suficiente de calorias que o organismo precisa. Embora alimentos sólidos sejam os ideias, podem ser dados suplementos líquidos ou pode ser inserida uma sonda nasogástrica para alimentação (em casos de recusa do paciente).
São tratados, também, outros problemas advindos da anorexia nervosa. Os suplementos de vitamina D e cálcio são administrados a pacientes com perda de densidade óssea, por exemplo.
Prognóstico da anorexia nervosa
Em casos de pacientes com sintomas leves, as complicações graves são raras. No entanto, este transtorno pode ser fatal para aqueles com anorexia grave que não recorrem a tratamento médico.
Metade das pessoas com anorexia nervosa em tratamento recupera o peso e reverte problemas hormonais e físicos decorrentes do transtorno. No entanto, cerca de 25% dos pacientes apresenta melhorias, mas tende a ter recaídas periodicamente. Os restantes pacientes (25%) têm recaídas frequentem, apresentando problemas físicos e mentais.
O tratamento em crianças e adolescentes tem maior probabilidade de sucesso do que em adultos.
Transtorno alimentar restritivo evitativo
O transtorno alimentar restritivo evitativo, ao contrário da anorexia e da bulimia, não está associado à preocupação pelo peso ou pela forma física. A pessoa com este transtorno come pouco, ou evita comer alguns alimentos. Ela pode não demonstrar interesse pela comida, ou pode ser muito seletiva no que respeita aos alimentos que come (pode evitar comer alimentos com uma consistência ou cor específica, por exemplo).
Alguns pacientes com transtorno alimentar restritivo evitativo podem ter medo de algumas consequências adversas da alimentação, como vómitos ou asfixia.
Pelas características deste transtorno, os pacientes podem ter uma perda de peso significativa e deficiências nutricionais graves. Em crianças, este pode levar a um crescimento menor do que aquele que se esperava.
É comum que este distúrbio alimentar se comece a desenvolver ainda na infância. Se nota que o seu filho evita comer determinados alimentos, ou se perdeu interesse na comida, procure um profissional de saúde.
Causas do transtorno alimentar restritivo evitativo
Não se apontou, ainda, uma causa para o desenvolvimento deste transtorno. No entanto, é possível que estejam na origem fatores psicológicos, genéticos e sociais.
Sintomas
O sinal de alerta maior para este transtorno alimentar é a restrição alimentar. O paciente pode comer muito pouco, ou pode evitar ingerir certos alimentos.
A perda de peso significativa é comum nestes pacientes. Quando crianças, estas não crescem tanto como se esperava.
Frequentemente, quem sofre de transtorno alimentar restritivo evitativo tem deficiências nutricionais severas, as quais podem pôr em risco a saúde e, quando não tratadas, podem ser fatais.
Diagnóstico do transtorno alimentar restritivo evitativo
O transtorno alimentar restritivo evitativo é diagnosticado por um profissional de saúde, após uma avaliação médica e exames que verifiquem transtornos físicos (alergias alimentares, cancro e transtornos que causam má absorção de nutrientes). Em alguns casos, pode ser feita uma avaliação de outros transtornos mentais (depressão, anorexia nervosa, bulimia nervosa ou esquizofrenia).
Os médicos devem estar atentos se os pacientes demonstram ser muito seletivos na alimentação, se estes comem muito pouco e se:
Apresentam uma perda de peso significativa;
Crescimento inferior ao esperado (nas crianças);
Deficiências nutricionais graves;
Dificuldade em participar de atividades sociais;
Sem autoimagem distorcida.
Tratamento
Os pacientes com transtorno alimentar restritivo evitativo devem fazer terapia cognitivo-comportamental, sabendo que pode ajudá-los a sentirem-se menos ansiosos sobre os alimentos que incluem na sua rotina diária.
Transtorno da compulsão alimentar periódica
O transtorno da compulsão alimentar periódica caracteriza-se pela ingestão de uma quantidade muito grande de alimentos, muito maior do que uma pessoa comeria em circunstâncias e períodos idênticos.
Pacientes com este transtorno perdem o controlo da alimentação em episódios de compulsão, seguindo-se um sentimento de angústia. Ao contrário das pessoas com bulimia ou anorexia, pessoas com transtorno da compulsão alimentar periódica não tentam compensar o consumo em excesso de alimentos com exercício, uso de laxantes, diuréticos ou induzindo o vómito.
É mais comum em pessoas obesas ou com sobrepeso. Aproximadamente 3,5% das mulheres e 2% dos homens apresentam o transtorno da compulsão alimentar periódica, tornando-se mais comum com o aumento do peso.
Sintomas
O maior sinal de alerta para o transtorno da compulsão alimentar periódica é a presença de repetidos episódios de compulsão alimentar, durante os quais o paciente ingere uma quantidade de comida muito grande.
É importante perceber em que circunstâncias a pessoa tem estes episódios, de forma a comparar com o que normalmente uma pessoa comeria. Da mesma forma, a cultura em que se insere pode interferir na quantidade de alimentos que ingere.
Os pacientes sentem perda de controlo e angústia durante e após os episódios de compulsão alimentar.
Outros sintomas comuns são:
Comer muito rápido;
Comer tanto ao ponto de se sentir desconfortável;
Ingerir muita comida, mesmo sem fome;
Comer sozinho, evitando constrangimentos;
Sentir-se deprimido e culpado após episódios de compulsão.
Diagnóstico do transtorno da compulsão alimentar periódica
O diagnóstico do transtorno da compulsão alimentar periódica é feito por avaliação médica e confirma-se quando:
O paciente relata episódios de compulsão alimentar, pelo menos, uma vez por semana, durante três meses, ou mais;
Há uma sensação de perda de controlo da alimentação durante os episódios de compulsão alimentar.
Tratamento
O tratamento do transtorno da compulsão alimentar periódica inclui psicoterapia (para controlar os episódios de compulsão alimentar) e, em alguns casos, podem ser usados medicamentos para emagrecer e supressores do apetite. Grupos de ajuda e entrar num programa de perda de peso podem ser úteis.
Medicamentos estimulantes, como aqueles usados no tratamento do TDAH, e inibidores seletivos de recaptação de serotonina (uma espécie de antidepressivo) podem ser aliados contra a compulsão alimentar e podem ajudar na perda de peso.
Apenas em casos de obesidade grave, é possível que seja recomendada uma cirurgia.
Pica (alotriofagia)
A pica, ou alotriofagia, caracteriza-se pela regular ingestão de substâncias que não são consideradas alimentos, como papel, terra, barro, cabelo, entre outras. Embora as pessoas com este transtorno não costumem comer algo que lhes faça mal, é comum que tenham algumas complicações, como intoxicação por chumbo ou obstrução do trato digestivo.
Não se incluem, aqui, pessoas que ingerem substâncias não alimentares como parte da tradição cultural.
É comum que pessoas com alotriofagia tenham outros transtornos mentais, como autismo, esquizofrenia ou incapacidade intelectual.
Sintomas
Os sintomas, além da ingestão de substâncias não alimentares, são a intoxicação, obstrução do trato digestivo e o prejuízo no desenvolvimento mental e físicos.
Diagnóstico da pica (alotriofagia)
O diagnóstico deste transtorno alimentar inclui uma avaliação médica e exames que verifiquem possíveis complicações advindas do comportamento.
Verifica-se alotriofagia quando a pessoa come substâncias não alimentares com frequência, durante um mês, ou mais, em pessoas com mais de dois anos de idade.
Diagnosticando-se a síndrome de pica, o médico faz uma avaliação do estado nutricional do paciente.
Tratamento
O tratamento deste transtorno passa pelo acompanhamento médico, terapia e consultas de nutrição. Adotar técnicas de modificação de comportamento podem ser muito úteis.
Transtorno de ruminação
Tal como o nome indica, o transtorno de ruminação caracteriza-se pela regurgitação dos alimentos depois de terem sido ingeridos. Alguns pacientes, por saberem que este não é um comportamento aceitável socialmente, tentam escondê-lo.
Os pacientes com transtorno de ruminação não sentem náuseas ou ânsias de vómito involuntárias. Em alguns casos, a pessoa com este distúrbio alimentar pode mastigar novamente os alimentos regurgitados, depois engolir ou cuspir.
Pode ocorrer em adultos, mas também em bebés, crianças e adolescentes.
Diagnóstico do transtorno de ruminação
O médico diagnostica este transtorno quando o paciente relata ter regurgitado alimentos, de forma repetida, por, pelo menos, um mês, e quando se descartaram outros distúrbios digestivos, como a doença do refluxo gastroesofágico, por exemplo.
É importante que se faça uma avaliação do estado nutricional do paciente, para detetar possíveis deficiências nutricionais.
Tratamento
O tratamento deste distúrbio alimentar passa pela adoção de técnicas de modificação de comportamento, as quais ajudam o paciente a desaprender os comportamentos prejudiciais e aprender outros desejáveis.
Hipergafia ou hiperfagia
A hipergafia, também chamada de hiperfagia, caracteriza-se pela ingestão de comida sem parar, como forma de consolo. Trata-se de um transtorno mental que carece de tratamento psicológico urgente, uma vez que a obesidade repentina traz sérios riscos à saúde.
Causas da hipergafia
Eventos traumáticos estão na causa da hipergafia, como a morte de entes queridos, acidentes, ou grandes perdas materiais, por exemplo, os quais deixam sequelas psicológicas persistentes no tempo.
Sintomas
O principal sintoma da hiperfagia é o aumento de peso rápido, especialmente se houve algum evento traumático recentemente. Outro sinal de alerta é o isolamento social após um problema grande.
Sintomas depressivos, ansiedade e sentimentos de culpa também são comuns em pessoas que sofrem deste transtorno alimentar.
Tratamento
O tratamento da hiperfagia começa, antes de mais nada, pelo acompanhamento por um psiquiatra e psicólogo. É muito provável que o paciente tenha uma depressão decorrente dos eventos traumáticos e, por isso, tratar a depressão é o primeiro passo.
A psicoterapia mostra-se fundamental para que o paciente aprenda a amar-se e a lidar com os problemas, sem que estes o deixem transtornado.
Ortorexia
A ortorexia caracteriza-se por uma obsessão por alimentos nutritivos e saudáveis, excluindo uma grande quantidade de alimentos pela presença de tóxicos, químicos, aditivos.
Sintomas
Pessoas com ortorexia geralmente:
Não comem alimentos com açúcar, sal ou gordura (podendo excluir-se mesmo as gorduras que sejam benéficas para o organismo);
Sentem culpa depois de comerem algo que não o planeado;
Perdem peso de forma excessiva;
Não pedem ajuda de nutricionistas;
Raramente comem fora de casa;
Têm uma dieta restritiva;
Sofrem de anemia;
Isolam-se da vida social.
Tratamento
A ortorexia, embora possa parecer até benéfica para o ser humano, precisa de tratamento, uma vez que pode levar a problemas psicológicos e a deficiências nutricionais graves.
O tratamento passa por uma orientação médica, psicoterapia e acompanhamento de nutrição.
Vigorexia
A vigorexia caracteriza-se por uma distorção da autoimagem, mais comum em pessoas do sexo masculino, em que os pacientes se veem mais fracos do que realmente são. Este transtorno leva o paciente a fazer exercícios físicos intensos.
Sintomas
Os pacientes com vigorexia apresentam vários sintomas, destacando-se:
Preocupação exagerada com a imagem;
Distorção da autoimagem;
Treinos físicos extremos;
Tendência para se automedicar;
Dietas muito rigorosas;
Uso excessivo de esteroides.
Tratamento
Após avaliação médica e confirmando-se o diagnóstico, recomenda-se o acompanhamento por psicólogo e por um nutricionista. Também podem ser prescritos medicamentos para controlar a ansiedade.
Todos os transtornos alimentares podem causar danos à saúde dos pacientes e, em casos graves, podem ser fatais. Por isso, família e amigos devem estar atentos a comportamentos estranhos. Lembre-se que qualquer transtorno alimentar tem tratamento e pode evitar mais prejuízos à sua saúde. Procure ajuda.